Setembro Amarelo nas empresas: como a alimentação apoia a saúde mental dos colaboradores

O Brasil está perto de chegar aos 500 mil afastamentos por transtornos mentais todos os anos. Somente em 2024, foram 472 mil registros junto ao INSS, maior índice dos últimos 10 anos. Não é por acaso que o tema saúde mental se tornou uma das pautas mais importantes na gestão de pessoas, com calendário próprio e campanhas de prevenção. O Setembro Amarelo é uma delas.

Criada em 2025, a iniciativa faz parte de uma série de ações que buscam ampliar o olhar sobre bem-estar emocional, inclusive no ambiente de trabalho. O Setembro Amarelo é um termômetro do quanto as organizações estão atentas ao que acontece com seus colaboradores.

O que é o Setembro Amarelo e por que ele importa para as empresas?

Inicialmente o Setembro Amarelo tinha a objetivo de desmistificar conversas sobre suicídio e abordar aspectos de prevenção. O escopo cresceu e o ambiente de trabalho tem um lugar central nessa conversa, já que é nele que as pessoas passam boa parte do dia. E as empresas também sentem os impactos da saúde mental na produtividade, medidos por taxas de afastamento, absenteísmo e rotatividade.

O adoecimento mental integra a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho desde 2023, quando doenças como ansiedade, burnout e depressão entraram para essa lista. Em maio de 2026, a NR-1 trouxe mais força ao tema. Riscos psicossociais agora devem ser incluídos em programas de gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas.

Ou seja: a saúde mental está diretamente atrelada às responsabilidades da cultura organizacional, sendo o RH o gestor dos riscos. 

Como a alimentação influencia a saúde mental dos colaboradores?

Já ouviu alguém dizer que “o intestino é o nosso segundo cérebro”? A ciência explica essa relação. A saúde mental tem relação direta com o funcionamento do eixo microbiota-intestino-cérebro. Fisiologicamente, os dois juntos respondem pela captação, processamento e distribuição de hormônios e respostas imunológicas.

É o que acontece, por exemplo, com a serotonina: 90% deste neurotransmissor é produzido no intestino. E é a serotonina que ajuda na regulação do humor e do bem estar. Portanto, uma microbiota intestinal desequilibrada afeta diretamente a saúde emocional. O desequilíbrio tem muitas origens, mas todas passam pelo prato: consumo excessivo de ultraprocessados, açúcar refinado e gorduras saturadas.

Há, ainda, outro mecanismo: pular refeições ou comer de forma irregular provoca oscilações nos níveis de glicose no sangue, com impacto direto no controle emocional e na tolerância ao estresse. Em dias de maior pressão no trabalho, esse efeito se amplifica.

Já deu para entender porque o cardápio do refeitório corporativo tem tudo a ver com a saúde mental. 

Quais nutrientes ajudam a regular o humor no trabalho?

A ciência da nutrição comportamental identifica compostos com papel direto na regulação emocional. São nutrientes presentes em alimentos acessíveis que devem estar no cardápio de qualquer refeição coletiva bem planejada.

Triptofano

Aminoácido precursor da serotonina. Presente em ovos, frango, nozes, banana, aveia e cacau. A regularidade das refeições é o que permite que o triptofano seja metabolizado com eficiência — o que reforça a importância de intervalos programados dentro da rotina de trabalho.

Ômega-3

Encontrado em peixes como salmão e sardinha e em sementes como a linhaça e a chia, o ômega- 3 minimiza processos inflamatórios associados à depressão e à ansiedade. Estudos publicados pelo National Institutes of Health (NIH) indicam que a ingestão regular de ômega-3 está associada à redução de sintomas depressivos.

Vitaminas do complexo B e magnésio

Essenciais para o funcionamento neurológico e para a redução de sintomas de estresse. Presentes em grãos integrais, leguminosas, folhas verdes escuras e sementes. A associação de magnésio com vitamina B6, em especial, tem evidências de efeito positivo sobre a ansiedade.

Vitamina D e hidratação

A deficiência de vitamina D está associada a maior risco de depressão. Já a desidratação, mesmo leve, afeta o humor e a concentração. A cafeína, quando consumida com moderação, pode ter efeito positivo. Mas em excesso, potencializa a ansiedade.

Como as empresas podem usar a alimentação como ferramenta de cuidado?

A resposta mais direta está no refeitório. Um cardápio corporativo equilibrado, que tenha variedade de proteínas, gorduras boas, grãos integrais e vegetais frescos já é, por si só, um cuidado com quem trabalha ali.

A parceria entre nutrição e RH ainda é pouco explorada nas empresas brasileiras. Quando as duas áreas trabalham juntas, é possível alinhar o cardápio às demandas do time, criar campanhas internas com embasamento técnico e comunicar escolhas alimentares de forma que faça sentido para quem está na operação.

Setembro Amarelo nas empresas: o que o RH pode fazer na prática?

Para os gestores que querem ir além do cartaz amarelo no mural, alguns movimentos podem ser implementados ainda este mês.

No refeitório

Acerte o cardápio da semana do Setembro Amarelo com o time de nutrição. Um cardápio temático tem pratos ricos em triptofano, ômega-3 e vegetais frescos.

Na comunicação interna

O brasileiro está entre os mais ansiosos do mundo. Falar sobre isso com evidência e sem alarmismo abre espaço para conversas que raramente acontecem no dia a dia das equipes.

Nas lideranças

Ofereça conteúdo de apoio aos gestores. Saber identificar sinais de esgotamento na equipe é uma competência que qualquer liderança precisa ter.

No ambiente físico

Disponibilize frutas nos intervalos, reveja as opções nos espaços de convivência e reduza a oferta de ultraprocessados. 

Em setembro e nos outros onze meses

Campanhas pontuais criam abertura, mas somente a consistência pode mudar os números. Se o único momento em que a empresa fala sobre saúde mental é setembro, a mensagem que chega ao colaborador é que o assunto importa, mas não dura.

O compromisso da Risotolândia com a saúde de quem trabalha

A alimentação coletiva tem um papel fundamental na saúde mental das equipes. Mas ela está lá todos os dias, dentro da rotina de cada colaborador. A Risotolândia atua com cardápios elaborados e supervisionados por nutricionistas, alinhados às melhores práticas de segurança alimentar e adaptados ao perfil de cada operação. Mais de 70 anos construindo uma das maiores operações de alimentação coletiva do Brasil.

Sua empresa quer usar a alimentação como parte da estratégia de saúde mental? Conheça o modelo de atuação da Risotolândia e fale com nossa equipe.

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