NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão de riscos e expõe o nível de preparo das empresas
Nova exigência legal transforma bem-estar em indicador mensurável e reforça a necessidade de ações estruturadas
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em 26 de maio de 2026, marca uma mudança definitiva no ambiente corporativo brasileiro: a saúde mental passa a ser tratada como risco ocupacional formal, exigindo das empresas diagnóstico, gestão contínua e comprovação de resultados.
A partir da nova diretriz, fatores como estresse, sobrecarga, ambiente organizacional e relações de trabalho deixam de ser subjetivos e passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com o mesmo peso dos riscos físicos e operacionais.
O movimento ocorre em um cenário crítico. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Mais do que cumprir a legislação, as empresas passam a ser cobradas por evidências.
O desafio vai além do mapeamento
Apesar de frequentemente associada à saúde mental, a NR-1 não cria uma nova lei, mas amplia o escopo de uma norma já existente. O mapeamento é apenas o ponto de partida, a exigência real está na capacidade de transformar dados em ações concretas e resultados consistentes.
Na prática, isso significa identificar riscos psicossociais, implementar medidas preventivas, capacitar lideranças e acompanhar indicadores como absenteísmo, turnover e afastamentos por saúde mental. O risco, segundo especialistas, é transformar a norma em um processo burocrático, sem impacto real no ambiente de trabalho.
Fiscalização e risco jurídico entram no radar
Com a nova exigência, a gestão da saúde mental passa também a ter impacto direto no risco jurídico das empresas. Multas podem variar entre R$ 6 mil e R$ 100 mil, com possibilidade de reincidência, além de ações do Ministério Público do Trabalho e processos regressivos do INSS.
Indicadores como turnover, absenteísmo e afastamentos passam a ser utilizados como evidência em eventuais fiscalizações, sendo que o maior risco não está na multa inicial, mas no passivo que pode se construir ao longo dos anos.
Quando a cultura antecede a norma
Se para muitas empresas a NR-1 representa um ponto de partida, para outras ela funciona como validação de uma cultura já estruturada. É nesse contexto que o Grupo Risotolândia se destaca como exemplo prático.
Com mais de 72 anos de atuação, cerca de 5 mil colaboradores, presença em diversos estados brasileiros e operação internacional, a empresa já vinha desenvolvendo práticas consistentes de cuidado com a saúde mental antes mesmo da atualização da norma.
No grupo, o indicador de doenças associadas à saúde mental é extremamente baixo, resultado direto de um ambiente organizacional estruturado e de práticas contínuas de cuidado com as pessoas.
Em 2024, a empresa estruturou seu Programa de Qualidade de Vida, oferecendo atendimento psicológico gratuito aos colaboradores, além do suporte ativo do SESMT e atendimento com assistente social. “Não partimos do zero. O que fizemos foi formalizar, por meio de uma metodologia específica, algo que já vinha sendo conduzido na prática”, afirma Kamille Dantas, diretora de Gente e Gestão.
Da cultura à metodologia
Com a entrada da NR-1, o movimento foi de aprofundamento técnico. O mapeamento dos riscos psicossociais passou a ser conduzido pelo SESMT com base em questionários cientificamente validados, alinhados a normas internacionais como a ISO 45003.
A abordagem garante sigilo e confidencialidade das respostas, além de oferecer consistência técnica para análise e tomada de decisão. Após o diagnóstico, todas as unidades da empresa, em diferentes cidades de cinco estados brasileiros, recebem orientações específicas e planos de ação estruturados, de acordo com os riscos identificados.
Treinamento e responsabilidade compartilhada
Outro eixo fundamental da adaptação à norma é a capacitação das equipes. Na Risotolândia, todos os Técnicos de Segurança do Trabalho foram preparados para orientar e esclarecer dúvidas dos colaboradores, enquanto gestores participaram de encontros estruturados para compreender as etapas do processo e suas responsabilidades. O objetivo é garantir que a gestão da saúde mental seja incorporada à rotina das lideranças.
Prevenção como estratégia de longo prazo
A implementação das diretrizes da NR-1 reforça uma atuação preventiva e estruturada, contribuindo para o fortalecimento da cultura organizacional e para a construção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e humanos. A NR-1 não cria uma nova realidade, mas torna visível o que antes era invisível.
A partir de 2026, empresas precisarão demonstrar, com dados e ações concretas, como cuidam da saúde mental de seus colaboradores. Para o mercado, o recado é direto: não será mais suficiente dizer que se importa.
Será preciso comprovar.
Sobre o Grupo Risotolândia
O Grupo Risotolândia é uma empresa brasileira especializada em refeições coletivas, com mais de 72 anos de atuação. Fornece diariamente mais de 550 mil refeições para escolas, empresas, hospitais e outros segmentos. Com cerca de 5 mil colaboradores, presença em diversos estados brasileiros e operação internacional, a empresa investe continuamente em qualidade, inovação e desenvolvimento humano, com foco em segurança alimentar e bem-estar.